Terça-feira, Abril 10
Sexta-feira, Agosto 12
Chegaram os Americanos (Crítica)
Juremir Machado da Silva, Correio do Povo:
http://www.correiodopovo.com.br/Impresso/?Ano=116&Numero=309&Caderno=0&Editoria=120&Noticia=323209
Jayme Paviani, Pioneiro: http://www.clicrbs.com.br/pioneiro/rs/impressa/11,3420915,1232,17639,impressa.html
Carlos André Moreira, Zero Hora:
http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/2011/08/09/nem-tudo-e-verdade/?topo=13,1,1,,,13
Quarta-feira, Julho 27
Quarta-feira, Julho 20
Sexta-feira, Junho 10
Chegaram os Americanos (prelo)
Com este título, Ribeiro fecha uma pentalogia que tem a sua “Bonja” como cenário.
Cidadão Toland
Toland veio filmar o desenvolvimento industrial, monumentos e pontos importantes, além de realizar entrevistas com autoridades. Segundo periódicos da época, além da Capital, sua equipe esteve também na fronteira, no pampa gaúcho, em Caxias do Sul, para registrar os parreirais.
Em seu romance-reportagem, Ribeiro leva Gregg Toland para Bom Jesus, ciceroneado pelo jornalista Justino Martins, então editor da Revista do Globo e cunhado de Erico Veríssimo. Lá, irão conviver com o efervescente caldo de cultura formado pelo nazismo, o fascismo, o integralismo.
Com essa obra, o autor fecha uma pentalogia (são cinco títulos) tendo Bom Jesus, sua terra natal, como pano de fundo. O livro, editado pela Modelo de Nuvem, terá lançamento na própria Bom Jesus no dia 16 de julho – aniversário da cidade.
Sexta-feira, Maio 27
Sobre O tal Eros Só
Embora os dois grupos reivindiquem prevalência um sobre o outro cada um com ótimos argumentos, minha opinião é, antes de ser murista ou conciliadora, de síntese: as duas são necessárias, cada qual com sua função para garantir a vida de um sistema literário (note que eu escrevi um “sistema”, não um “mercado”. O mercado é outra coisa, estou falando aqui de livros de valor literário, não comercial, mesmo entre a turma que inventa menos na forma). Os grandes narradores são aqueles responsáveis por cativar a maioria para a literatura, enquanto os inventores questionam a validade de repetir o antigo e tentam encontrar o novo, de fazer algo que em um primeiro momento choque, surpreenda, pareça absurdo ou provoque admiração mais pela enormidade técnica do feito do que por sua fruição.
É definitivamente a esta categoria que pertence a desconcertante novela O Tal Eros Só – Osso Relato (BelasLetras), do gaúcho Paulo Ribeiro. Uma narrativa em que boa parte de seus capítulos é escrita em forma de palíndromo. Palíndromo, acredito que vocês saibam, são palavras ou frases que, graficamente, apresentam as mesmas letras na mesma ordem da esquerda para a direita e da direita para e esquerda, permitindo uma leitura de trás para diante idêntica à do sentido normal da leitura. Podem ser palavras, inclusive nomes como Bob e Menem, até sentenças mais longas, frases espelhadas das mais simples e quase infantis, como “Roma me tem amor” ou “A bola da Loba“, até exemplares sofisticados como “Assim a aia ia à missa“, de autoria de Millôr Fernandes, ou “Rir, o breve verbo rir“, do cartunista Laerte. Consta que o mais antigo palíndromo do mundo é a frase latina Sator Arepo Tenet Opera Rotas – que, voltando aos exemplares máximos do experimentalismo literário nacional, serve como base estrutural para o intrincado romance de Osman Lins, Avalovara.
Compôr uma frase palindrômica já é bastante complexo (sobre as agruras e as delícias de compôr palíndromos, a propósito, recomendo esta excelente reportagem de Vanessa Bárbara no número 2 da revista Piauí, que pode ser lida online no site da revista). O que Paulo Ribeiro faz em O Tal Eros Só — Osso Relato, é ainda mais impressionante porque ele consegue tecer capítulos inteiros que podem ser lidos de trás para frente. Claro, com tal proeza técnica,nem sempre o sentido do que se lê é claro — em alguns momentos duvida-se até que algumas daquelas frases tenham algum sentido, mas mesmo essa dificuldade imposta pela forma é contornada na montagem do romance. Os capítulos em palíndromos formam a segunda parte do romance — que vem a ser a parte do romance escrita por seu protagonista, Sore, empregado de uma marcenaria que, de tanto pensar, delira e é visto com estranheza e desconfiança pelos que o cercam. A história de Sore é narrada na primeira parte em uma prosa com a densidade poética característica de Ribeiro, mas sem o recurso formal dos palíndromos. Na segunda metade do romance, temos a visão palindrômica de Sore feito Eros, e o que se lê é um texto muito aproximado da poesia, tanto a lírica quanto a mais experimental, dadaísta.
Uma realização formal que nada fica a dever aos rigorosos exercícios do grupo francês Oulipo, do qual faziam parte Raymond Queneau, autor do clássico Zazie no Metrô, e Georges Pérec, autor de La Disparition, um romance de 300 páginas escrito sem que a letra “E” apareça – uma façanha considerável, uma vez que em francês, bem como no nosso português, é uma vogal de grande incidência no idioma.
Quarta-feira, Dezembro 15
O Prêmio Açorianos
Foram muitos os percalços, as pedras no caminho até chegar à indicação de agora (na verdade, não é a minha primeira vez no Açorianos; concorri com Vitrola dos Ausentes em 1994, e Iberê, o romance, em 1996, e não levei).
O texto presente na coletânea se intitula Que forças derrubaram o ciclista?, e considera o Iberê escritor, não o artista plástico. Leva em conta a sua breve, mas excelente, produção literária, seja no livro de contos No Andar do Tempo, ou nas suas memórias, Gaveta dos Guardados (além de textos inéditos, escritos em italiano e que tiveram a “leitura”).
Na verdade, ao escrever este ensaio (que também foi um impulso da UCS, pois é o resultado de um doutorado, exigência da linha acadêmica da instituição), pratiquei o texto mais linear, mais simples de uma trajetória que se pauta pelo experimentalismo como forma de expressão.
O estudo, por outro lado, é talvez o resgate de uma confiança depositada há tempos, desde o dia em que Iberê, em 1990, abriu as portas de sua casa e ateliê no Alto Nonoai, em Porto Alegre, para aquele “bico” de jornalista iniciante sem emprego fixo. Fui procurá-lo para um perfil que faria para a revista Veja, que jamais saiu. Ali começou uma breve convivência, da qual resultou um romance-reportagem e esta “queda do ciclista” de agora.
Iberê Camargo é o artista gaúcho mais representativo, que encontra talvez paralelo somente em Verissimo na literatura, e Lupicínio, na música.
Tive sorte de ter cruzado o seu caminho. Aprendi a sua arte, observei a figura humana, tive conteúdo para trabalho e ajudou a garantir o meu pão.
Ao lado de Marco de Menezes, um dos nossos melhores poetas e que também representava Caxias no Açoriano, fui conferir o resultado do prêmio. Qualquer que tenha sido, valeu!!





















