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Terça-feira, Abril 10

Os pobres na Literatura Brasileira

Crítica de Luís Augusto Fischer sobre a Literatura Brasileira Contemporânea, que inclui na análise Vitrola dos Ausentes, no Rascunho de abril 2012.

Sexta-feira, Agosto 12

Chegaram os Americanos (Crítica)

Quarta-feira, Julho 27

Chegaram os Americanos em Caxias

Na próxima quarta, 03 de agosto, lançamento de Chegaram os Americanos em Caxias do Sul. Será na Do Arco da Velha, às 19h.
Fica aqui o convite.

Quarta-feira, Julho 20

Chegaram os Americanos em Porto Alegre

Nesta terça, 26 de julho, lançamento de Chegaram os Americanos, às 19h, na Palavraria, em Porto Alegre.
Apareçam!
A Palavraria fica na Vasco da Gama, 165
Bom Fim
Tel: (51) 32684260

Sexta-feira, Junho 10

Chegaram os Americanos (prelo)


Eis, em primeira mão, a capa do novo livro do escritor Paulo Ribeiro, Chegaram os Americanos. Feito uma caixa de guardados decalcada pelo tempo, a imagem tem ícones significativos da nova obra, um cavalo no campo, uma Wagon e um cinegrafista. Misturando essas referências, eis a trama deste romance-reportagem: em plena Segunda Guerra, chega a Porto Alegre o americano Gregg Toland, diretor de fotografia de No Tempo das Diligências e cinegrafista de Cidadão Kane, quando inventou o conceito de profundidade de campo no cinema. Ele vem para filmar o desenvolvimento industrial, monumentos e pontos importantes, além de realizar entrevistas com autoridades. Segundo periódicos da época, Toland esteve até mesmo em Caxias para registrar os parreirais.

No livro, Ribeiro leva Gregg Toland para Bom Jesus, ciceroneado pelo jornalista Justino Martins, então editor da Revista do Globo e cunhado de Erico Verissimo. Na paisagem dos Campos de Cima da Serra, que é recorrente na obra do escritor, os personagens convivem com ideias nazistas, fascistas e integralistas, além da oposição entre espíritas e católicos. Em Bom Jesus o lançamento será dia 16 de julho, no aniversário da cidade. O livro sai pela editora Modelo de Nuvem. E a capa aqui apresentada é uma criação conjunta de Camila Cornutti, Fabiano Scholl e Marco de Menezes, sobre foto de Scholl.
Com este título, Ribeiro fecha uma pentalogia que tem a sua “Bonja” como cenário.

Carlinhos Santos, Coluna 3X4, Pioneiro, 09.06.2011.

Cidadão Toland

O escritor e jornalista Paulo Ribeiro concluiu há pouco seu novo romance, Chegaram os Americanos, cujo tema é permanência entre os gaúchos do grande cinegrafista Gregg Toland (1904-1948), diretor de fotografia de clássicos como Cidadão Kane (1941). O americano esteve em Porto Alegre em 1944, dentro do esforço da política de boa vizinhança dos Estados Unidos para com países como o Brasil durante a II Guerra.
Toland veio filmar o desenvolvimento industrial, monumentos e pontos importantes, além de realizar entrevistas com autoridades. Segundo periódicos da época, além da Capital, sua equipe esteve também na fronteira, no pampa gaúcho, em Caxias do Sul, para registrar os parreirais.
Em seu romance-reportagem, Ribeiro leva Gregg Toland para Bom Jesus, ciceroneado pelo jornalista Justino Martins, então editor da Revista do Globo e cunhado de Erico Veríssimo. Lá, irão conviver com o efervescente caldo de cultura formado pelo nazismo, o fascismo, o integralismo.
Com essa obra, o autor fecha uma pentalogia (são cinco títulos) tendo Bom Jesus, sua terra natal, como pano de fundo. O livro, editado pela Modelo de Nuvem, terá lançamento na própria Bom Jesus no dia 16 de julho – aniversário da cidade.


Contracapa Zero Hora, Roger Lerina, 8.6.2011

Sexta-feira, Maio 27

Sobre O tal Eros Só

Há duas grandes vertentes, duas linhas de força centrais na produção literária: a narração e a invenção. A narração é o partido dos que pretendem “contar uma história”, e costuma ser mais popular no presente e mais desdenhado no futuro. A invenção é o time dos que pretendem, por meio de seu trabalho, descobrir novas formas de contar uma história, fazer o que se pensa ser impossível em termos formais — embora menos lidos em sua própria época, esses vão sendo redescobertos à medida que aquilo que eles fizeram primeiro começa a se contrabandear para dentro do mainstream literário como prática. A divisão é apenas para fins de categoria, lembrando que entre esses dois extremos, a bem dizer bem pouco povoados, há uma multidão intermediária que alia as duas coisas: tentando descobrir uma forma fresca e nova e que seja ao mesmo tempo a melhor para estruturar aquela história que gostaria de contar.
Embora os dois grupos reivindiquem prevalência um sobre o outro cada um com ótimos argumentos, minha opinião é, antes de ser murista ou conciliadora, de síntese: as duas são necessárias, cada qual com sua função para garantir a vida de um sistema literário (note que eu escrevi um “sistema”, não um “mercado”. O mercado é outra coisa, estou falando aqui de livros de valor literário, não comercial, mesmo entre a turma que inventa menos na forma). Os grandes narradores são aqueles responsáveis por cativar a maioria para a literatura, enquanto os inventores questionam a validade de repetir o antigo e tentam encontrar o novo, de fazer algo que em um primeiro momento choque, surpreenda, pareça absurdo ou provoque admiração mais pela enormidade técnica do feito do que por sua fruição.
É definitivamente a esta categoria que pertence a desconcertante novela O Tal Eros Só – Osso Relato (BelasLetras), do gaúcho Paulo Ribeiro. Uma narrativa em que boa parte de seus capítulos é escrita em forma de palíndromo. Palíndromo, acredito que vocês saibam, são palavras ou frases que, graficamente, apresentam as mesmas letras na mesma ordem da esquerda para a direita e da direita para e esquerda, permitindo uma leitura de trás para diante idêntica à do sentido normal da leitura. Podem ser palavras, inclusive nomes como Bob e Menem, até sentenças mais longas, frases espelhadas das mais simples e quase infantis, como “Roma me tem amor” ou “A bola da Loba“, até exemplares sofisticados como “Assim a aia ia à missa“, de autoria de Millôr Fernandes, ou “Rir, o breve verbo rir“, do cartunista Laerte. Consta que o mais antigo palíndromo do mundo é a frase latina Sator Arepo Tenet Opera Rotas – que, voltando aos exemplares máximos do experimentalismo literário nacional, serve como base estrutural para o intrincado romance de Osman Lins, Avalovara.
Compôr uma frase palindrômica já é bastante complexo (sobre as agruras e as delícias de compôr palíndromos, a propósito, recomendo esta excelente reportagem de Vanessa Bárbara no número 2 da revista Piauí, que pode ser lida online no site da revista). O que Paulo Ribeiro faz em O Tal Eros Só — Osso Relato, é ainda mais impressionante porque ele consegue tecer capítulos inteiros que podem ser lidos de trás para frente. Claro, com tal proeza técnica,nem sempre o sentido do que se lê é claro — em alguns momentos duvida-se até que algumas daquelas frases tenham algum sentido, mas mesmo essa dificuldade imposta pela forma é contornada na montagem do romance. Os capítulos em palíndromos formam a segunda parte do romance — que vem a ser a parte do romance escrita por seu protagonista, Sore, empregado de uma marcenaria que, de tanto pensar, delira e é visto com estranheza e desconfiança pelos que o cercam. A história de Sore é narrada na primeira parte em uma prosa com a densidade poética característica de Ribeiro, mas sem o recurso formal dos palíndromos. Na segunda metade do romance, temos a visão palindrômica de Sore feito Eros, e o que se lê é um texto muito aproximado da poesia, tanto a lírica quanto a mais experimental, dadaísta.
Uma realização formal que nada fica a dever aos rigorosos exercícios do grupo francês Oulipo, do qual faziam parte Raymond Queneau, autor do clássico Zazie no Metrô, e Georges Pérec, autor de La Disparition, um romance de 300 páginas escrito sem que a letra “E” apareça – uma façanha considerável, uma vez que em francês, bem como no nosso português, é uma vogal de grande incidência no idioma.

Texto de Carlos André Moreira, no blog Mundo Livro, de Zero Hora (25.5.2011)

Quarta-feira, Dezembro 15

O Prêmio Açorianos

Escrevo esta crônica antes de saber o resultado do Prêmio Açorianos 2010. Promovido pela Secretaria de Cultura da prefeitura de Porto Alegre, é o prêmio literário mais importante em nosso meio. Livre de qualquer vaidade, o resultado que tenha ocorrido, a indicação de um estudo que fiz sobre Iberê Camargo (saiu numa coletânea, Tríptico para Iberê, que traz também textos de Laura Castilhos e Daniela Vicentini relacionados ao pintor) propicia uma reflexão.
Foram muitos os percalços, as pedras no caminho até chegar à indicação de agora (na verdade, não é a minha primeira vez no Açorianos; concorri com Vitrola dos Ausentes em 1994, e Iberê, o romance, em 1996, e não levei).
O texto presente na coletânea se intitula Que forças derrubaram o ciclista?, e considera o Iberê escritor, não o artista plástico. Leva em conta a sua breve, mas excelente, produção literária, seja no livro de contos No Andar do Tempo, ou nas suas memórias, Gaveta dos Guardados (além de textos inéditos, escritos em italiano e que tiveram a “leitura”).
Na verdade, ao escrever este ensaio (que também foi um impulso da UCS, pois é o resultado de um doutorado, exigência da linha acadêmica da instituição), pratiquei o texto mais linear, mais simples de uma trajetória que se pauta pelo experimentalismo como forma de expressão.
O estudo, por outro lado, é talvez o resgate de uma confiança depositada há tempos, desde o dia em que Iberê, em 1990, abriu as portas de sua casa e ateliê no Alto Nonoai, em Porto Alegre, para aquele “bico” de jornalista iniciante sem emprego fixo. Fui procurá-lo para um perfil que faria para a revista Veja, que jamais saiu. Ali começou uma breve convivência, da qual resultou um romance-reportagem e esta “queda do ciclista” de agora.
Iberê Camargo é o artista gaúcho mais representativo, que encontra talvez paralelo somente em Verissimo na literatura, e Lupicínio, na música.
Tive sorte de ter cruzado o seu caminho. Aprendi a sua arte, observei a figura humana, tive conteúdo para trabalho e ajudou a garantir o meu pão.
Ao lado de Marco de Menezes, um dos nossos melhores poetas e que também representava Caxias no Açoriano, fui conferir o resultado do prêmio. Qualquer que tenha sido, valeu!!
Crônica publicada no Pioneiro de hoje.